sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Yoko Ono - Melancolia em 1981 - Season of Glass


Andando sobre gelo fino. Assim eu me sentia em 1981, ano em que o disco "Season of glass", de Yoko Ono, foi lançado, aproximadamente após sete meses da morte de John Lennon. Quando chegou em minhas mãos, eu tinha perdido um querido amigo  a pouco tempo.Então toda a tristeza existente naquele acetato, encontrou eco em meu coração, e faixas como I don't known why,  no no no, foram tomadas emprestadas por minha alma cheia de lágrimas. Mas o porque, ficou sem resposta. Deixe-me dizer uma coisa, este disco não é para qulquer um. É principalmente para quem gosta de Yoko, e por conseguinte, não tem medo de experimentar. Muito embora este disco não seja um disco experimental, a voz desconcertante de Yoko, não costuma agradar a todos. Eu adoro. Neste disco ouvimos o lamento de uma mulher contra a estupidez do mundo, que sem maiores explicações resolve usar um louco para lhe tirar o homem que ama.  Decididamente não espere melodias lineares a todo o tempo. Na música No no no, voce será pego logo de inicio, por quatro disparos e o grito desesperado de Yoko. Depois, dentro da harmonia, ouvirá ela despejar suas frases de raiva e frustração, desmontando a melodia acompanhada todo o tempo por acordes em feitio de sirenes de ambulância. E ao final da música voce ouve a ambulância passando, te lembrando que alguem morreu. Mas não é somente desespero, é mais melancolia o que voce encontra nas outras faixas. Como um soluço sobre o final do choro, quando a lágrima seca, e parece que temos a súbita consciência que é pra sempre, e não há mais nada a fazer. Mas apesar da tristeza, é um disco que considero belo. E para quem não viveu o turbilhão de emoções que dominaram os anos oitenta, considero este disco uma excelente amostra. Cá com meus botões, considero este disco uma trilha sonora para uma melancolia. Tome um whisky, pois será a melhor companhia, ponha sua mídia preferida para tocar este disco, e sinta o que estou dizendo.






Até mais, galera. Abraços.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O último malandro - Kid Morengueira...ou Moreira da Silva se voce preferir



 Houve um estilo. Houve um único representante legítimo deste estilo. O estilo é o samba de breque,  o único representante foi o saudoso Moreira da Silva. Eu era pequeno e meu pai me ensinou a ouvir. Eu achava engraçado  aquele cara cantando histórias, cantando aventuras com uma música de incontestável qualidade como pano de fundo. Aquele ritmo cadenciado, aquele telecotelecoteco típico do samba original. Samba com pandeiro,  com piano, com violão,  com super naipe de sopros onde o piston tira a surdina e põe as coisas no lugar. E a voz de Morengueira é claro. E Morengeira era o rei do gatilho, e enfrentava 007 e ganhava a Claudia Cardinalli. Há que se ouvir, tem que se ouvir Morengueira. Procure por aí, garimpe, ache! Vale a pena. E se voce tiver a imaginação sintonizada com a emoção, voce vai imaginar a época em que estes sambas foram gravados. E chorando vai se indagar, por que não se faz mais isto hoje? Ah, e com certeza vai jogar fora todos os discos de "samba" que fazem hoje por aí. Sem falar nas baixarias pornofônicas dos dias de hoje.
Alguns haverão de achar incocentes por demais as histórias contadas por Kid Moreira. Mas... o que há de errado na sutileza? Eu não entro neste mérito, e apenas peço que ouçam e deixem sua sensibilidade dar a última palavra. Eu achei na rede estes que aparecem nestas imagens. Imaginem voce a cena..."Na gafieira segue o baile calmamente, com muita gente dando volta no salão. Tudo vai bem, mas eis porém que de repente, um pé subiu e alguem de cara foi ao chão." O resto só ouvindo a deliciosa "Piston de gafieira". E assim, histórias, malandragem, puro Morenguira. E francamente não troco isto por nada que é feito hoje. Não senhor, nada chega aos pés da sutileza marota dos senhores da malandragem.



Abaixo deixo uma grande parceria com o Chico Buarque. Aproveitem e até mais. Ah, ia me esquecendo ouçam estes discos.









segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mestre Luiz Gonzaga. Xote, xaxado e baião. E viva São João!!

a
O céu era estrelado, balões viajavam multicoloridos, disputando espaço com os rojões que deixavam uma trilha brilhante quais inquietos cometas carregados de sonhos. No chão, fogueiras crepitando em chamas a esquentar a noite e assar as espigas de milho que emprestavam mais um sabor àquelas noites encantadas. Esse era o São João de minha infância, e este é o São João que trago dentro de mim até hoje. E deste São João encantado, só uma coisa permanece intocável...A música de Luiz Gonzaga."Olha pra o céu meu amor, veja como ele está lindo..", isto pode parecer ingênuo para a maioria dos ouvidos de hoje em dia...mas temos realmente que perder a poesia? Acho que não. E mestre "Lua" é isto, pura poesia. Aquela voz, aquele aboio, aquele lamento. Quando ouço Luiz Gonzaga sinto um gosto de licor de genipapo invadir a alma. Aquela canjica que minha "tia avó" fazia do jeito que não se encontra mais hoje.Tudo isto vem junto com a voz de Gonzagão. O leitor reparou que não estou falando de nenhum disco em especial? Pois é, estou falando de "Mestre Lua" e qualquer disco dele é especial.
 Certa vez um colega de trabalho me falou que não achava Luiz Gonzaga um grande sanfoneiro no sentido de virtuosismo com instrumento. "Graças a Deus!", respondi de imediato. Luiz Gonzaga não era virtuose, não era chato. Luiz Gonzaga era "Luiz Gonzaga" !! O Rei do baião! O real embaixador da música nordestina para o resto do mundo. Aquela voz, aquela sanfona..precisa mais? Aconselho aos meninos que querem conhecer Luiz Gonzaga que procurem as tantas coletâneas que existem por aí. Depois garimpem os discos antigos do mestre. Não se prendam a detalhes técnicos das gravações, mas sim a força e a pureza da autêntica música nordestina na voz de um mestre menestrel. 


O vídeo abaixo mostra Mestre Lua em uma participação em um filme, em plena época de apresentação do baião ao resto do país:


Mais uma participaçao em filme:

Só um lembrete aos meninos...nesta época o nordeste era muito mais desrespeitado do que é hoje. Então pesquisem o contexto histórico para entenderem a importância de Luiz Gonzaga para a música brasileira ( particularmente a nordestina ).

Com certeza aqui não cabe tudo que se deve falar sobre Luiz Gonzaga, por isso espero dizer apenas e principalmente o essencial. Ele era um mestre que representava toda uma nação. Sua música não era fruto de inspiração, era fruto de sua vida vivida em sua terra, fruto de sua terra vivida em sua vida. Luiz Gonzaga e o nordeste, o nodeste e Luiz Gonzaga, amálgama da mesma couraça ( como já disse Zé Ramalho ). Então é bom saber, não se ouve o Mestre Lua e sai impune. Quando se ouve Gonzagão, o mandacarú se entranha fundo na alma, e a dor da seca nordestina, se mistura com a alegria da festa junina. Dos óio verde de Maria. Do cumpadi e da cumadi pulando a fogueira. Luiz Gonzaga, é e  sempre será a trilha sonora de meu São João. 
     Abraços, e olha pro céu meu amor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mestre Jimi Hendrix! Vodoo Child !!



Olá rapaziada, após um pequeno lapso de tempo, estou de volta. E agora para falar de um cara ( não apenas um disco ) que é a razão pela qual eu desejei tocar um instrumento ( como se eu fosse o único  a dizer isto! hehe). Falo do mestre Hendrix! E claro que não posso falar sobre "um" disco específico de Jimi. Todos os discos  são imperdíveis. Os discos ao vivo,  nem todos são perfeitos, pois alguns são piratas ( então não são tão bons tecnicamente falando no sentido da gravação ) e é claro que em alguns shows ele estava cansado, e não tão inspirado, mas são a exceção e não a regra. Tudo isto à parte, eu amo todos os discos que possuo do Jimi. Aviso logo aos meninos, pra falar de Jimi é preciso ouvi-lo até cansar. E ouvir os discos de estúdio. Nos discos de estúdio podemos ouvir que mais do que um ás da guitarra, ele era um músico que fazia discos perfeitos. Ele não se preocupava em mostrar quantas notas por minuto era capaz de tocar ( como fazem hoje ) e sim em como seria  a música que iria criar. Os timbres, os efeitos, tudo era usado em nome da música. Blues, Funk, Rock, tá tudo lá.
 Não quero tentar aqui uma biografia ( isto existe por aí aos borbotões) nem um discografia exaustiva (os meninos têm a internet para isto. Hehe) Mas devo dizer que a formação que aparece na capa do disco mostrada acima é a minha preferida:  Mitch Mitchell - bateria,  Noel Reding - baixo e Jimi Hendrix - guitarra é claro, faziam o trio perfeito em minha opinião.Eu tive a sorte de ouvir Jimi ainda nos vinis ( Ahá! Melhor só quem viu ao vivo ). Confesso que a primeira vez que ouvi Jimi eu estava bêbado. Tinha de estar. Como eu poderia ouvir  "Hey Joe"  pela primeira vez e ficar sóbrio ? E "Purple Haze" ? Ainda hoje é necessária a pergunta...De onde vem aquele som ? Dos dedos e da alma. Só depois de ouvir no mínimo três discos de Hendrix dá pra entender que estes velocistas de hoje apenas disputam quem tem o dedo mais rápido ao invés de fazer música. Não me queiram mal,  mas um disco inteiro destes "dedos corredores" não valem  um único solo de Mestre Hendrix. Vejam abaixo:
 
Entenderam agora? Hehe! Sobre tocar coms os dentes, uma vez Jimi respondeu a um repórter: "Em algumas cidades, se voce não tocar com os dentes, eles atiram em voce". Para mim só existe um nome no mundo do pop/rock que se equipara à Jimi em termos de importância....Janis Joplin. Mas guardo para outro post. Alguns amigos me perguntam o que Jimi estaria tocando hoje se ainda estivesse vivo, e eu apenas respondo...Música de qualidade. 
No vídeo acima, voce ouve um mestre tocando uma música de outro mestre. Quem é o outro mestre? Hehe...pesquisem. Brincadeirinha...O outro mestre é o Chuck Berry. Hendrix é assunto infinito, mas não posso ficar idefinidamente aqui. Basta dizer uma coisa. Perguntem a qualquer guitarrista, em qualquer lugar do mundo, qual sua maior influencia...e anotem a resposta. Onze em dez, irão dizer...JIMI HENDRIX.

Aí pessoal, valeu e até a próxima. Vão correndo ouvir tudo que puderem de Jimi...e depois me contem.