segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mestre Luiz Gonzaga. Xote, xaxado e baião. E viva São João!!

a
O céu era estrelado, balões viajavam multicoloridos, disputando espaço com os rojões que deixavam uma trilha brilhante quais inquietos cometas carregados de sonhos. No chão, fogueiras crepitando em chamas a esquentar a noite e assar as espigas de milho que emprestavam mais um sabor àquelas noites encantadas. Esse era o São João de minha infância, e este é o São João que trago dentro de mim até hoje. E deste São João encantado, só uma coisa permanece intocável...A música de Luiz Gonzaga."Olha pra o céu meu amor, veja como ele está lindo..", isto pode parecer ingênuo para a maioria dos ouvidos de hoje em dia...mas temos realmente que perder a poesia? Acho que não. E mestre "Lua" é isto, pura poesia. Aquela voz, aquele aboio, aquele lamento. Quando ouço Luiz Gonzaga sinto um gosto de licor de genipapo invadir a alma. Aquela canjica que minha "tia avó" fazia do jeito que não se encontra mais hoje.Tudo isto vem junto com a voz de Gonzagão. O leitor reparou que não estou falando de nenhum disco em especial? Pois é, estou falando de "Mestre Lua" e qualquer disco dele é especial.
 Certa vez um colega de trabalho me falou que não achava Luiz Gonzaga um grande sanfoneiro no sentido de virtuosismo com instrumento. "Graças a Deus!", respondi de imediato. Luiz Gonzaga não era virtuose, não era chato. Luiz Gonzaga era "Luiz Gonzaga" !! O Rei do baião! O real embaixador da música nordestina para o resto do mundo. Aquela voz, aquela sanfona..precisa mais? Aconselho aos meninos que querem conhecer Luiz Gonzaga que procurem as tantas coletâneas que existem por aí. Depois garimpem os discos antigos do mestre. Não se prendam a detalhes técnicos das gravações, mas sim a força e a pureza da autêntica música nordestina na voz de um mestre menestrel. 


O vídeo abaixo mostra Mestre Lua em uma participação em um filme, em plena época de apresentação do baião ao resto do país:


Mais uma participaçao em filme:

Só um lembrete aos meninos...nesta época o nordeste era muito mais desrespeitado do que é hoje. Então pesquisem o contexto histórico para entenderem a importância de Luiz Gonzaga para a música brasileira ( particularmente a nordestina ).

Com certeza aqui não cabe tudo que se deve falar sobre Luiz Gonzaga, por isso espero dizer apenas e principalmente o essencial. Ele era um mestre que representava toda uma nação. Sua música não era fruto de inspiração, era fruto de sua vida vivida em sua terra, fruto de sua terra vivida em sua vida. Luiz Gonzaga e o nordeste, o nodeste e Luiz Gonzaga, amálgama da mesma couraça ( como já disse Zé Ramalho ). Então é bom saber, não se ouve o Mestre Lua e sai impune. Quando se ouve Gonzagão, o mandacarú se entranha fundo na alma, e a dor da seca nordestina, se mistura com a alegria da festa junina. Dos óio verde de Maria. Do cumpadi e da cumadi pulando a fogueira. Luiz Gonzaga, é e  sempre será a trilha sonora de meu São João. 
     Abraços, e olha pro céu meu amor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mestre Jimi Hendrix! Vodoo Child !!



Olá rapaziada, após um pequeno lapso de tempo, estou de volta. E agora para falar de um cara ( não apenas um disco ) que é a razão pela qual eu desejei tocar um instrumento ( como se eu fosse o único  a dizer isto! hehe). Falo do mestre Hendrix! E claro que não posso falar sobre "um" disco específico de Jimi. Todos os discos  são imperdíveis. Os discos ao vivo,  nem todos são perfeitos, pois alguns são piratas ( então não são tão bons tecnicamente falando no sentido da gravação ) e é claro que em alguns shows ele estava cansado, e não tão inspirado, mas são a exceção e não a regra. Tudo isto à parte, eu amo todos os discos que possuo do Jimi. Aviso logo aos meninos, pra falar de Jimi é preciso ouvi-lo até cansar. E ouvir os discos de estúdio. Nos discos de estúdio podemos ouvir que mais do que um ás da guitarra, ele era um músico que fazia discos perfeitos. Ele não se preocupava em mostrar quantas notas por minuto era capaz de tocar ( como fazem hoje ) e sim em como seria  a música que iria criar. Os timbres, os efeitos, tudo era usado em nome da música. Blues, Funk, Rock, tá tudo lá.
 Não quero tentar aqui uma biografia ( isto existe por aí aos borbotões) nem um discografia exaustiva (os meninos têm a internet para isto. Hehe) Mas devo dizer que a formação que aparece na capa do disco mostrada acima é a minha preferida:  Mitch Mitchell - bateria,  Noel Reding - baixo e Jimi Hendrix - guitarra é claro, faziam o trio perfeito em minha opinião.Eu tive a sorte de ouvir Jimi ainda nos vinis ( Ahá! Melhor só quem viu ao vivo ). Confesso que a primeira vez que ouvi Jimi eu estava bêbado. Tinha de estar. Como eu poderia ouvir  "Hey Joe"  pela primeira vez e ficar sóbrio ? E "Purple Haze" ? Ainda hoje é necessária a pergunta...De onde vem aquele som ? Dos dedos e da alma. Só depois de ouvir no mínimo três discos de Hendrix dá pra entender que estes velocistas de hoje apenas disputam quem tem o dedo mais rápido ao invés de fazer música. Não me queiram mal,  mas um disco inteiro destes "dedos corredores" não valem  um único solo de Mestre Hendrix. Vejam abaixo:
 
Entenderam agora? Hehe! Sobre tocar coms os dentes, uma vez Jimi respondeu a um repórter: "Em algumas cidades, se voce não tocar com os dentes, eles atiram em voce". Para mim só existe um nome no mundo do pop/rock que se equipara à Jimi em termos de importância....Janis Joplin. Mas guardo para outro post. Alguns amigos me perguntam o que Jimi estaria tocando hoje se ainda estivesse vivo, e eu apenas respondo...Música de qualidade. 
No vídeo acima, voce ouve um mestre tocando uma música de outro mestre. Quem é o outro mestre? Hehe...pesquisem. Brincadeirinha...O outro mestre é o Chuck Berry. Hendrix é assunto infinito, mas não posso ficar idefinidamente aqui. Basta dizer uma coisa. Perguntem a qualquer guitarrista, em qualquer lugar do mundo, qual sua maior influencia...e anotem a resposta. Onze em dez, irão dizer...JIMI HENDRIX.

Aí pessoal, valeu e até a próxima. Vão correndo ouvir tudo que puderem de Jimi...e depois me contem.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Promoção no Destroyer !! Ganhe um DVD do LED ZEPELLIN

Aí gente boa! Quem curte o bom e velho Rock And Roll não pode perder esta. O blog DESTROYER do amigo GuilhermeM está realizando uma promoção onde o prêmio é um DVD dos caras. Aqui está o link:
http://destroyerockcity.blogspot.com/2011/04/promocao-led-zeppelin.html
Vamos prestigiar os colegas hehehehe.
E só pra refrescar a memória de quem conhece ou para apresentar a quem não conhece aí vai um pouco do LED:
Abraços e boa sorte a todos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Caravanserai! Viajando junto...com Carlos Santana.


Falando francamente, este não é um disco para iniciantes. É sim, para iniciados. Não aconselhado para quem ainda não conhece Carlos Santana. Obrigatório para quem já conhece. Voce não pode conhecer Santana por este disco, mas não pode afirmar que conhece Santana sem conhecer este disco. Foi gravado em 1972, marcado por mudanças na formação da banda, e no próprio som de Santana, que vinha nos seus tres discos anteriores determinando sua marca ao misturar salsa, rock  e jazz. Aqui temos, ainda, e talvez mais até, o jazz, porém quase somente instrumental. E eu acrescentaria, um algo até mais espiritual. Aliás, o som remete à capa. Voce viaja em uma caravana, sente o deserto, e sem dúvida vê o oásis. A percurssão comanda de fora a fora, sem obedecer a ningúem, a não ser a guitarra de Santana, o mestre da caravana. 
"Olhe para cima, para ver o que vem descendo",hehe. Para dar uma idéia do que esperar deste disco, basta dizer que aqui está "Stone Flower" de Tom Jobim. Santana e Tom Jobim. Quer mais ? É neste album que entra o percursionista cubano Amando Peraza(para mim um dos melhores do mundo). Falei no início que este disco não é para iniciantes, e sim, para iniciados. É que não se deve esperar um disco de guitarrista, com a guitarra ditando as regras. Não é assim que funciona com Santana, e neste disco muito menos. A música vem como deve vir, em grupo. Cada um fazendo sua parte e construindo assim, o todo. Santana, o mestre da alquimia, é humilde e apenas complementa, preenche os espaços entre a percussão, a bateria, os teclados, o contra-baixo, o vocal em algumas faixas. Mas não se engane, quando a guitarra grita suavemente uma frase, é uma majestade que está gritando suavemente uma frase. E voce, fatalmente, suavemente, displicentemente esquece todos os outros instrumentos, os coadjuvantes, e ouve o que Santana tem a dizer. E o que ele diz ? Ele diz...ouça aquele timbau, e este teclado. Sinta aquela bateria. 
Caravanserai, viajando junto, ao som de Santana. Não posso definir o som encontrado neste disco. É algo que não se explica, se ouve. Tudo que eu ousasse dizer aqui sobre as faixas do disco, só seria compreendido após a audiçao atenta e entregue do leitor. Se o leitor não alcançar este disco à primeira audição, por favor, não culpe o disco, nem culpe a si mesmo. Dê nova chance aos dois, e após a audição definitiva, com certeza irá perceber que já ouviu uma centena de vezes, por puro prazer.