quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sitio do Picapau Amarelo, pra quem um dia foi criança!


"Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo...Sítio do Picapau amarelo". Ahh, não sei pra que o tempo passa. E passa de modo inexorável, traiçoeiro, silencioso. Não faz alarde dos anos que estão se indo, nem das rugas que estão chegando. Sentimos sua presença, quando sentimos saudade. E dentro do universo que compõe minha saudade está o planeta "Sítio do Picapau amarelo". Está Dona Benta, está Tio Barnabé. Está tambem Sinhá Anastácia, o Visconde de Sabugosa. Emília, Pedrinho, Narizinho. Tantos pedaços de saudade. Mas deixe eu mostrar o início da trilha destas emoções:

 Pois é. Haviam aventuras a serem imaginadas. E as crianças imaginavam! Ora se não!Quem não se assutava com a cuca e o saci. Ora vejam só. Meninos com medo da mula sem cabeça. Tudo nascido das histórias vindas pela voz doce de Dona Benta. Não sei quem inventou que hoje a inocência é pecado. Há que se aprender a acreditar para aprender com o sábio sabugo espiga de milho bobo sabido doido varrido nobre de vintém. Mas faz de conta que hoje ainda é ontem, e então eu posso sonhar. E sonhando estou conversando com Pedrinho lá no quintal. Falando de aventuras no fundo do mar enquanto mordo uma goiaba tirada do pé. Não, não, meninos, não estou jogando um megasuperultrapowercheiodemegabytes jogo enfadonho qualquer. A côr não é era medida em pixels, era medida em intensidade. Era o azul do céu, o verde do mar e todo o resto do arco-íris. E as aventuras ao lado de Hércules e outros tantos heróis eram cheias de cores.
Havia uma felicidade latente naquelas horas em que sorríamos com a boneca feita de marmelo. Boneca de pano com o coração mais coração que qualquer outro coração feito de músculos e carne. Essas "horas" sempre ocorriam lá pelas cinco horas da tarde, um pouco antes da hora do banho. Um banho para o qual íamos já com a alma lavada.



Até mais e bons sonhos. Ah procurem o disco mostrado na primeira imagem. Se tiverem sorte, acharão.
Bjos.











sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Yoko Ono - Melancolia em 1981 - Season of Glass


Andando sobre gelo fino. Assim eu me sentia em 1981, ano em que o disco "Season of glass", de Yoko Ono, foi lançado, aproximadamente após sete meses da morte de John Lennon. Quando chegou em minhas mãos, eu tinha perdido um querido amigo  a pouco tempo.Então toda a tristeza existente naquele acetato, encontrou eco em meu coração, e faixas como I don't known why,  no no no, foram tomadas emprestadas por minha alma cheia de lágrimas. Mas o porque, ficou sem resposta. Deixe-me dizer uma coisa, este disco não é para qulquer um. É principalmente para quem gosta de Yoko, e por conseguinte, não tem medo de experimentar. Muito embora este disco não seja um disco experimental, a voz desconcertante de Yoko, não costuma agradar a todos. Eu adoro. Neste disco ouvimos o lamento de uma mulher contra a estupidez do mundo, que sem maiores explicações resolve usar um louco para lhe tirar o homem que ama.  Decididamente não espere melodias lineares a todo o tempo. Na música No no no, voce será pego logo de inicio, por quatro disparos e o grito desesperado de Yoko. Depois, dentro da harmonia, ouvirá ela despejar suas frases de raiva e frustração, desmontando a melodia acompanhada todo o tempo por acordes em feitio de sirenes de ambulância. E ao final da música voce ouve a ambulância passando, te lembrando que alguem morreu. Mas não é somente desespero, é mais melancolia o que voce encontra nas outras faixas. Como um soluço sobre o final do choro, quando a lágrima seca, e parece que temos a súbita consciência que é pra sempre, e não há mais nada a fazer. Mas apesar da tristeza, é um disco que considero belo. E para quem não viveu o turbilhão de emoções que dominaram os anos oitenta, considero este disco uma excelente amostra. Cá com meus botões, considero este disco uma trilha sonora para uma melancolia. Tome um whisky, pois será a melhor companhia, ponha sua mídia preferida para tocar este disco, e sinta o que estou dizendo.






Até mais, galera. Abraços.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O último malandro - Kid Morengueira...ou Moreira da Silva se voce preferir



 Houve um estilo. Houve um único representante legítimo deste estilo. O estilo é o samba de breque,  o único representante foi o saudoso Moreira da Silva. Eu era pequeno e meu pai me ensinou a ouvir. Eu achava engraçado  aquele cara cantando histórias, cantando aventuras com uma música de incontestável qualidade como pano de fundo. Aquele ritmo cadenciado, aquele telecotelecoteco típico do samba original. Samba com pandeiro,  com piano, com violão,  com super naipe de sopros onde o piston tira a surdina e põe as coisas no lugar. E a voz de Morengueira é claro. E Morengeira era o rei do gatilho, e enfrentava 007 e ganhava a Claudia Cardinalli. Há que se ouvir, tem que se ouvir Morengueira. Procure por aí, garimpe, ache! Vale a pena. E se voce tiver a imaginação sintonizada com a emoção, voce vai imaginar a época em que estes sambas foram gravados. E chorando vai se indagar, por que não se faz mais isto hoje? Ah, e com certeza vai jogar fora todos os discos de "samba" que fazem hoje por aí. Sem falar nas baixarias pornofônicas dos dias de hoje.
Alguns haverão de achar incocentes por demais as histórias contadas por Kid Moreira. Mas... o que há de errado na sutileza? Eu não entro neste mérito, e apenas peço que ouçam e deixem sua sensibilidade dar a última palavra. Eu achei na rede estes que aparecem nestas imagens. Imaginem voce a cena..."Na gafieira segue o baile calmamente, com muita gente dando volta no salão. Tudo vai bem, mas eis porém que de repente, um pé subiu e alguem de cara foi ao chão." O resto só ouvindo a deliciosa "Piston de gafieira". E assim, histórias, malandragem, puro Morenguira. E francamente não troco isto por nada que é feito hoje. Não senhor, nada chega aos pés da sutileza marota dos senhores da malandragem.



Abaixo deixo uma grande parceria com o Chico Buarque. Aproveitem e até mais. Ah, ia me esquecendo ouçam estes discos.









segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mestre Luiz Gonzaga. Xote, xaxado e baião. E viva São João!!

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O céu era estrelado, balões viajavam multicoloridos, disputando espaço com os rojões que deixavam uma trilha brilhante quais inquietos cometas carregados de sonhos. No chão, fogueiras crepitando em chamas a esquentar a noite e assar as espigas de milho que emprestavam mais um sabor àquelas noites encantadas. Esse era o São João de minha infância, e este é o São João que trago dentro de mim até hoje. E deste São João encantado, só uma coisa permanece intocável...A música de Luiz Gonzaga."Olha pra o céu meu amor, veja como ele está lindo..", isto pode parecer ingênuo para a maioria dos ouvidos de hoje em dia...mas temos realmente que perder a poesia? Acho que não. E mestre "Lua" é isto, pura poesia. Aquela voz, aquele aboio, aquele lamento. Quando ouço Luiz Gonzaga sinto um gosto de licor de genipapo invadir a alma. Aquela canjica que minha "tia avó" fazia do jeito que não se encontra mais hoje.Tudo isto vem junto com a voz de Gonzagão. O leitor reparou que não estou falando de nenhum disco em especial? Pois é, estou falando de "Mestre Lua" e qualquer disco dele é especial.
 Certa vez um colega de trabalho me falou que não achava Luiz Gonzaga um grande sanfoneiro no sentido de virtuosismo com instrumento. "Graças a Deus!", respondi de imediato. Luiz Gonzaga não era virtuose, não era chato. Luiz Gonzaga era "Luiz Gonzaga" !! O Rei do baião! O real embaixador da música nordestina para o resto do mundo. Aquela voz, aquela sanfona..precisa mais? Aconselho aos meninos que querem conhecer Luiz Gonzaga que procurem as tantas coletâneas que existem por aí. Depois garimpem os discos antigos do mestre. Não se prendam a detalhes técnicos das gravações, mas sim a força e a pureza da autêntica música nordestina na voz de um mestre menestrel. 


O vídeo abaixo mostra Mestre Lua em uma participação em um filme, em plena época de apresentação do baião ao resto do país:


Mais uma participaçao em filme:

Só um lembrete aos meninos...nesta época o nordeste era muito mais desrespeitado do que é hoje. Então pesquisem o contexto histórico para entenderem a importância de Luiz Gonzaga para a música brasileira ( particularmente a nordestina ).

Com certeza aqui não cabe tudo que se deve falar sobre Luiz Gonzaga, por isso espero dizer apenas e principalmente o essencial. Ele era um mestre que representava toda uma nação. Sua música não era fruto de inspiração, era fruto de sua vida vivida em sua terra, fruto de sua terra vivida em sua vida. Luiz Gonzaga e o nordeste, o nodeste e Luiz Gonzaga, amálgama da mesma couraça ( como já disse Zé Ramalho ). Então é bom saber, não se ouve o Mestre Lua e sai impune. Quando se ouve Gonzagão, o mandacarú se entranha fundo na alma, e a dor da seca nordestina, se mistura com a alegria da festa junina. Dos óio verde de Maria. Do cumpadi e da cumadi pulando a fogueira. Luiz Gonzaga, é e  sempre será a trilha sonora de meu São João. 
     Abraços, e olha pro céu meu amor.